quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O que vai na Praça





PRINCIPADO DA PONTINHA ENDURECE RELAÇÕES COM PORTUGAL





Obrigar a pagamento por cada pessoa que passe pelo espaço pertencente ao Ilhéu da Pontinha onde se ergue o Forte de São José e que dá serventia ao Porto do Funchal é uma drástica medida que ganha forma na mente de Renato Barros.
O auto-intitulado 'príncipe da Pontinha' reage assim ao mutismo do Presidente da República Portuguesa perante as sucessivas cartas que lhe chegam do ilhéu.






O prof. Renato falou esta manhã à 'Fénix' numa das mais populares esplanadas do Funchal, a capital da Madeira situada a 70 metros do Principado, como sublinha o nosso entrevistado.
"Já tratei o Cavaco por 'colega chefe de Estado', por 'palhaço' e agora vou tratá-lo por sócio", desabafa Renato, explicando-se: "Somos sócios porque o Estado Português é dono do seu domínio territorial marítimo e eu sou dono do ilhéu que dá serventia ao porto do Funchal, que é dele."
Conforme a reacção de Belém, é possível que o Principado da Pontinha se decida por aplicar uma taxa que pode ser de um euro por cada cidadão que utilize a serventia. Mas Renato Barros admite ridicularizar mais a situação, cobrando essas passagens "a peso". O que prejudicaria os cidadãos mais nutridos...


São José dá serventia ao porto do vizinho Funchal e Renato Barros pondera pegar por aí na guerra com o Presidente português, Cavaco Silva.


"Não acha curioso que nem a Madeira nem o Estado Português tomem uma posição perante a proclamação do Principado da Pontinha?" - ri-se o professor. "A carta régia com a venda do território está em lugar seguro, eles estão amarrados e não sabem que dizer perante as minhas provocações."
Na verdade, nunca se percebeu que a Marinha de Guerra de Portugal se posicionasse na zona com ares beligerantes, mas atribuimos o facto ao reduzido espaço que teriam para acertar.
Outro pormenor aponta o príncipe: "A Flama não conseguiu a independência da Madeira, mas nós temos a nossa independência... e sem recurso à bomba."
 



Renato Barros nomeou Dom Dirceu adido cultural do Principado da Pontinha no Estado do Rio Grande do Sul, personagem que deverá visitar 'o país mais pequeno do mundo' em Outubro.


O 'príncipe' não disfarça o estado de euforia perante a hipótese cada vez mais realizável de vir à Madeira uma equipa do Guinesse Book para reconhecer no local 'o país mais pequeno do mundo'.
Se tudo correr bem, as cerimónias coincidirão com os festejos de aniversário da carta régia - 3 de Outubro - que consagrou a passagem da propriedade do Ilhéu para a Casa Blandy, que mais tarde se desfez do 'enclave' até este chegar às mãos de Renato Barros.
"Quero que o Guiness, que já teve acesso em Londres às informações constantes da carta régia, reconheça este meu pequeno território que também há-de bater a China em população por metro quadrado", entusiasma-se Renato Barros.
"Já dei a cidadania a 1.200 pessoas e isso dá-nos uma população relativa impressionante", sorri.
"As redes sociais - nota ele - conhecem já o meu país. Um país que não tem dívida, não tem contribuintes, não tem eleitores e não tem militares. Aqui só temos gente de paz."
A propósito, o Principado não tem moeda própria, e se vier a ter será o 'fortim'. Por ali circulam, pois, as moedas de outros países, desde o euro à libra e ao real. "Até trabalhamos com o velho escudo, se for preciso", diz o prof. Renato.
 
No final do encontro, Renato Barros, que espera receber a 3 de Outubro uma embaixada de peso representativa da Igreja Ortodoxa Brasileira, abriu-nos as portas a um lugar de adido de imprensa do Principado. Recusámos espontaneamente o honroso convite. Além das nossas simpatias republicanas, entendemos que o Principado está infectado pela má vizinhança: a Quinta das Angústias, com a bandeira azul-amarela desfraldada no alto da falésia sobre o porto do Funchal, fica pouco mais de uma centena de metros a leste do Forte de São José.
 
 
 
A terminar a conversa, Renato Barros anunciou que deu início à montagem de um mapa de representações consulares no estrangeiro. "Já temos consulado em Beja, cidade portuguesa, e acabo de nomear um cônsul para o Rio Grande do Sul, no Brasil."
 
A sós, um funcionário do café perguntou-nos provocatoriamente pelo nosso estado de saúde.
 


1 comentário:

Andesman disse...

Aceito ser representante diplomático na região Centro do País.