sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


CÂMARA DA RIBEIRA BRAVA 'SIMPÁTICA'
NO PAGAMENTO DE DÍVIDAS A EMPREITEIROS


Na Câmara ribeirabravense não há misérias: herança de calote em grande, pagamento de juros maior ainda.

Em toda a Região, câmaras e até o governo tratam de renegociar dívidas a ver se baixam até o possível os números a pagar. Na Ribeira Brava é diferente: a assembleia municipal decretou que é para pagar tudo, incluindo juros superiores às dívidas. Decisão do PPD, perante a estática abstenção de PS e CDS. Apenas o PTP votou contra a política 'mãos largas' do 'rico' município.


A representação do PTP não escondeu a indignação pelo que se passou esta quinta-feira na reunião ordinária da assembleia municipal da Ribeira Brava. No ponto em que se tratava da "assunção de compromissos plurianuais" com a Afavias-Engenharia e Construções e a Lena-Engenharia e Construções, SA, o resultado foi votar-se um sistema de pagamentos mediante o qual, em vários casos, os juros atingem o valor da dívida e até mais.
Quando, em outros concelhos, tem havido o cuidado de negociar com os credores para tentar suavizar as somas a pagar, na Ribeira Brava nem sequer o PS e o CDS tentaram combater as 'mãos largas' do PSD. Socialistas e populares lavaram as mãos do problema abstendo-se na hora de decidir, para espanto de Marco Almas, representante do Partido dos Trabalhadores, que obviamente votou contra.
O deputado municipal do PTP não se conformava com aquela situação emergente da "herança deixada pela desgovernação social-democrata no concelho", conforme nos disse. "O actual presidente, no seu manifesto eleitoral, devia ter informado os munícipes do estado em que o antecessor deixava as contas da Câmara." 
...O que não seria difícil, até porque Ismael Fernandes e Ricardo Nascimento são ambos do mesmo partido, logo seria fácil a passagem da informação. 
No caso - ataca Marco Almas -, "temos aqui um exemplo em que a Câmara se propõe pagar dívidas e juros praticamente superiores às próprias dívidas".
Vamos ilustrar, grosso modo: se a câmara deve 2 milhões à Afavias, aceitou pagar 1 milhão de juros. Mas se deve 160 mil à Lena, vai pagar esses 160 mil e outro tanto em juros.
"Reconhecemos que existe uma dívida, da responsabilidade do PSD, que deve ser paga", esclareceu em declaração de voto o deputado municipal do PTP. "Contudo, entendemos que este acordo defende os interesses dos credores e prejudica a câmara."
O representante dos Trabalhadores exemplifica: noutros municípios, como Santa Cruz e Funchal, estão a ser negociados acordos de pagamento com perdão de substancial parte dos juros. E o próprio governo regional adoptou igual procedimento. Pergunte-se aos expropriados se não estão a receber pressões do GR para facilitarem os pagamentos, reduzindo até 50% do valor dos terrenos.
Pelos vistos, o município da Ribeira Brava é rico e não está para perder tempo a regatear ninharias de juros... que são 100% da dívida! Isso mesmo que o plano de investimentos se vá esvaziar drasticamente, como vai.
"Nos outros concelhos, as câmaras e o governo invocam o interesse público para reduzir o dinheiro a pagar, mas na nossa Ribeira Brava o mesmo PSD enche os cofres dos empreiteiros", desabafa Marco Almas, que arranjou maneira de ironizar com a situação exibindo um cartaz alusivo ao excelente "entendimento" entre maioria laranja e barões das empreitadas (imagem que reproduzimos nesta peça).

A ordem do dia para esta assembleia ordinária, marcada para a Casa do Povo do Campanário, incluía designadamente discussão e votação de uma proposta para criação de feiras mensais no centro de cada freguesia do concelho, repavimentação da estrada Campanário-Ribeira Brava e contratos de concessão das lojas do Mercado Municipal.


A ironia do PTP ante a 'generosidade' laranja na Ribeira Brava.

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