domingo, 21 de maio de 2017


JÁ LÁ VÃO DOIS ANOS

GAUDÊNCIO FIGUEIRA

Não parece, mas é verdade. Hoje ocorre o segundo aniversário da morte do Acácio Pestana.
Cumpridos os “serviços mínimos” no funeral, a Direcção do CSM nunca mais recordou aquele que foi um jornalista desportivo em part-time, respeitado pelos amantes da bola, adeptos ou não, e do seu CSM. Admito que algo me possa ter escapado, e, se for o caso, desde já as minhas desculpas.

Foi bonito de se ver na RTP-M a comemoração dos 40 anos da subida do CSM à 1ª Divisão. A imagem e as palavras, precisas e concisas, do Sr. Adelino Rodrigues revelaram aquilo que fora o clube dos anos 40/50, onde a sua formação humanista, adquirida no Seminário, marcou o seu trabalho como dirigente. O Acácio Pestana – vimo-lo e ouvimo-lo na RTP-M na comemoração – tinha pelo Sr. Adelino Rodrigues uma profunda admiração, a formação humanista era-lhes comum. Não sabíamos na altura, mas hoje sabemos que, com esta subida, se encerrava a prevalência dos valores humanistas nas práticas desportivas.

Nestes 40 anos tivemos um primeiro período, até 1997, em que o dinheiro se tornou inesgotável para os clubes, com particular destaque para os três do Funchal. O GR, relativamente ao qual não há memória de ter faltado dinheiro para actividades lúdicas, suportou os custos da transformação dos clubes, de Instituições de Utilidade Pública que proporcionavam a prática desportiva aos jovens, em entidades promotoras de espectáculos desportivos.

Consciente de que era necessário reduzir a despesa com o futebol, a máquina de propaganda governamental não perdeu tempo e avançou com a ideia do Clube Único. Ideia financeiramente correcta mas inaceitável para os adeptos. A intoxicação feita pela máquina da propaganda governamental não surtiu o efeito desejado. Os sócios e adeptos dos clubes não aceitavam a ideia. Os do CSM foram os mais inconformados. O dia 25 de Maio de 1997 foi um dia fatídico. Admitiu-se que uma cabala montada no interior do CSM pretendia afastar o Dr. Alberto João da liderança do GR. Tudo porque ocorreu uma vaia nos Barreiros. Era normal, na comunicação social da época, quem compunha os quadros da bem remunerada máquina de propaganda ao serviço do poder, esquecer as opções clubísticas em troca do prato de lentilhas. O Acácio Pestana não transigiu, colocou as suas convicções à frente das mordomias. A prepotência não se fez esperar.

Na sequência do 25 de Maio iniciam-se os jantares dos sócios e adeptos do CSM liderados pelo Acácio. Acompanhei-o em muitos dos jantares mensais onde pontificava a frase: UNO, INDIVISÍVEL e INFUNDÍVEL. Recordo o jantar – seria da reconciliação – em que esteve presente o Dr. Alberto João, bem como daquilo que ouvi ao Acácio sobre os alertas que recebera vindos do PSD-M e da AFM para que não houvesse incidentes. Vi e ouvi também as recusas que o Acácio recebeu de gente que, desde a primeira hora, o acompanhara para se sentarem na mesa de honra, ao lado do sócio 1.609.

Morto e enterrado, clubisticamente falando, o ideal humanista de Adelino Rodrigues e Acácio Pestana, tal como em 1977, nova realidade desabrocha. Um sistema financeiro desregulado permite criar a imagem de que tudo está bem neste negócio de milhões – Promoção de Espectáculos Futebolísticos – esquecendo a formação nos moldes Humanos da mente sã em corpo são. Espero, para bem de todos nós, que o CSM de Adelino Rodrigues e Acácio Pestana acabe por vencer. 

2 comentários:

Anónimo disse...

Acacio era frontal e havia quem no poder do maritime que nao gostava...e nao gosta de quem critica...mesmo sendo do maritime

Anónimo disse...

Era um grande homem. Inveja a bela caligrafia. Lembro-me quando ia aos correios na Penteada proximo da sua casa era um homem cortês educado e falava com qualquer pessoa que lhe cumprimentasse.