segunda-feira, 7 de agosto de 2017


QUANDO MADURO FICA “PODRE”

Gaudêncio Figueira

Chavez, com a Constituição de 1999, criou a República Bolivariana da Venezuela. O acrescento não foi ingénuo. Ele relembra a emancipação de Espanha, invocando a pessoa de Simón Bolivar.
George Washington e Simón Bolivar foram dois homens que marcaram a sedição das Colónias do Novo Mundo, contra os Impérios Europeus. Cavalgando o Iluminismo do sec. XVIII, as colónias britânicas separaram-se de Inglaterra. Simón Bolívar é considerado em alguns países da América Latina como um herói, visionário, revolucionário, e libertador. Durante os seus 47 anos de vida, liderou a Bolívia, a Colombia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela à independência, e ajudou a lançar bases ideológicas democráticas na maioria da América Hispânica. É o “George Washington” da América do Sul.

George Washington foi anterior a Napoleão. Simón Bolivar, posterior ao “anti-Cristo”, já não assistiu à ratificação da Independência, em 1845. O período decorrido entre 1776 (Independência dos EUA) e 1845 foi suficiente para que na trilogia da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – surgisse a cizânia Republicana à volta do conceito de Igualdade.

No Novo Mundo, não eram aceites interferências das antigas potências coloniais nos seus assuntos. Recordavam o passado. Este princípio e a Doutrina Monroe (a América para os Americanos) suportou o expansionismo dos EUA sobre vastos territórios da Coroa Espanhola. Porém, os privilégios aristocráticos, abalados por Napoleão, só cessaram com a 1ª Guerra Mundial, onde os EUA participaram em nome da Liberdade. As jovens Nações Hispânicas ainda se debatiam com sérias dificuldades na criação das estruturas de Estado, nessa altura.

Muito pior que o ideário Republicano, foi a degenerescência da Igualdade para o Comunismo, na Rússia em 1917.

O Império Americano cujo expansionismo e controlo da “vizinhança” já vinha do passado, acautelou-se face à nova realidade. Os Somoza, na Nicarágua, entre 1936 e 1972; Rafael Trujillo, na Rep. Dominicana, de 1930 a 1961; Alfredo Stroessener no Paraguai, entre 1954 e 1989; Os Papa e Baby Doc, de 1957 a 1971, no Haiti, foram os “ditadores amigos” dos EUA. Todos eles eram Homens de Bem que repudiavam o comunismo e queriam o bem-estar do Povo Humilde. Fidel Castro, o comunista inveterado, também queria o Bem do Povo. Andamos nisto há cem anos!

Após a Independência a Venezuela passou por forte instabilidade. O fim do sec. XIX e os primeiros 20 anos do sec. XX, foram particularmente difíceis para o País, apesar de Venezuela, Brasil, Chile e Argentina terem tratamento diferenciado pela sua dimensão e importância estratégica no Continente Americano.

Em 1920, a Venezuela era o maior produtor de petróleo. Mas só em 1945 o Partido de Acção Democrática, com Rómulo Betancourt, trouxe estabilidade. Duraria até 1948. Os EUA, receando a acção do “perigoso comunista” Rómulo Gallegos, provocaram-lhe a queda, lançando Venezuela na confusão. A saga das receitas do petróleo, esconde muita porcaria, desde esses longínquos anos 50.

Em 1952, Perez Jimenez emerge em circunstâncias estranhas, arrebatando o Poder aos vencedores de eleições. Foi condecorado com a Legião de Mérito pelo embaixador dos EUA, em Caracas. Em 1958, na companhia da esposa e das filhas, fugiu para a Rep. Dominicana, do “amigo” Trujillo. Seguiram-se lideranças várias com o regressado Rómulo Betancourt, Raul Leoni e Rafael Caldera, até que Carlos Andrés Perez ganha eleições em 1973. Aproveitando um período de alta do petróleo e a boa relação com os EUA, Andrés Perez estabiliza a Venezuela. Porém, a riqueza findaria cinco anos depois. É este o drama venezuelano, viver em função da riqueza especulativa dos mercados. Em 1988, o mesmo Andrés Perez recorre ao FMI. O desemprego cresce, as greves também, e regressa a instabilidade. Perez é destituído num processo de corrupção. Neste ambiente social, chega ao poder Hugo Chávez. Saíam os “ditadores americanos e bons”, entravam os “comunistas e maus”.


Nos dias de hoje, isto não existe! Ditador é ditador, não os há bons e maus. As vítimas desta falsa dicotomia deixam-se embalar por uma imprensa que verbera os mortos e feridos, às mãos dos esbirros de Maduro, mas nada diz sobre os lobos com vestes de cordeiro, que alimentam a contestação na esperança de acenar com a falsa riqueza, da Goldman Sachs e afins. Precisamos de leis que nos protejam dos abutres que distribuem de forma desigual a riqueza gerada entre Trabalho e Capital. Já viram quais os amigos de Chávez no nosso País? Direita e esquerda apoiaram-no. Angola, com o seu MPLA da família Santos, contou com apoios de direita e esquerda. Hoje os tiranos bons e maus estão mancomunados para, através do sistema financeiro, nos fazerem escravos, de grupos bem pequenos, de gente muito rica.            

3 comentários:

Anónimo disse...

Esperemos que não faça como o Presidente da Turquia fez recentemente.

Fernando Vouga disse...

Certo!
Não basta mudar as moscas...

Fernando Vouga disse...

Anónimo das 14:13
Acho que acabou de tentar...